Google SGE (Search Generative Experience): entenda o que é e quais os impactos em SEO
“Jogar no Google” faz parte do nosso dia pessoal e profissional. Mas você já imaginou como seria ter respostas personalizadas e interativas para suas perguntas mais específicas logo ali nos motores de busca? É exatamente isso que o Google SGE (Search Generative Experience) promete. Lançado em fase beta em maio de 2023, estava sendo testado [...]
“Jogar no Google” faz parte do nosso dia pessoal e profissional. Mas você já imaginou como seria ter respostas personalizadas e interativas para suas perguntas mais específicas logo ali nos motores de busca? É exatamente isso que o Google SGE (Search Generative Experience) promete.
Lançado em fase beta em maio de 2023, estava sendo testado nos EUA, no Japão e na China, já levantando várias preocupações em SEO e, recentemente, ficou disponível aqui no Brasil. Comecei a usar o meu dia a dia e reuni, neste artigo, minhas principais observações sobre essa funcionalidade baseada em IA, que está muito atrelada à experiência do usuário (UX) e à qualidade do conteúdo. Esses, por sua vez, são o coração das inúmeras Core Updates realizadas do Google ao longo de 2023.
Continue a leitura e descubra como o SGE está redefinindo o futuro das pesquisas online. Veja, também, algumas dicas do que fazer para se adequar. Não tenho fórmulas prontas, mas tenho boas práticas e bons conselhos para nos guiar. Acompanhe!
O que é Google SGE?
O Google Search Generative Experience (SGE) é uma funcionalidade avançada do Google baseada em inteligência artificial (IA) para gerar os resultados de uma pesquisa orgânica realizada pelas pessoas usuárias. Essa funcionalidade permite um melhor entendimento da linguagem conversacional e, por isso, consegue entregar um resultado muito mais dinâmico. Se você tiver interesse em ver como essa pesquisa funciona, basta clicar em “Teste um exemplo” nesta página do Google Labs.
Então, ao pesquisar algo como “o que vestir para um casamento na praia”, podemos ter uma resposta gerada por IA que inclui texto, infográficos, vídeos, página de e-commerce e carrossel de referências, dependendo do que o motor entende como sua intenção de busca (transacional, informacional etc.). Além disso, é possível responder ao resultado com perguntas já previstas pela IA e iniciar todo um diálogo. Bem parecido com o que já ocorre com o Bing, por exemplo.
Inclusive, podemos fazer perguntas ultra-específicas, com palavras-chave de cauda longuíssima, como “O que vestir para um casamento na praia na cor azul e por até 300 reais” e já ter essa série de resultados disponíveis para a gente.
Tudo isso antes dos resultados da SERP em si, como mostra o vídeo abaixo:

Vídeo demonstrando pesquisa com Google SGE.
Importante ter em mente que essa resposta gerada por IA não vai aparecer em todos os resultados automaticamente. Em muitos casos (e, arrisco dizer, por enquanto), a pessoa usuária precisa clicar de forma ativa no botão “Gerar”, conforme o vídeo acima e print abaixo:

Em outubro de 2023, participei do evento online SEO Square, da Semji, e tive a oportunidade de ver como o Google SGE funcionava na prática, pois não estava disponível ainda no Brasil. Escrevi um pouco sobre minhas impressões neste artigo: Insights do evento SEO Square: Entre IA, UX e o Futuro do Marketing de Conteúdo.
Felizmente, em novembro, essa versão de teste passou a estar disponível no Brasil, e foi bem melhor conseguir ver a coisa com os próprios olhos. Então, enquanto fazia meus testes por aqui, comparei com muitas observações realizadas pelos palestrantes ao longo do evento.
Por lá, inclusive, Charley Bouzerau e Jérémie Conde, responsáveis pela palestra “L’avenir du SEO s’appelle Google SGE” (“O futuro do SEO se chama Google SGE”, disponível aqui), trouxeram dados interessantes com relação a essa busca do Google SGE: apenas 31% das pesquisas realizadas retornavam com uma resposta gerada por IA de forma automática. A maioria, em torno de 56%, só aparecia com esse botão “Gerar”.
Quais impactos do Google SGE em SEO?
Não é à toa que essas modificações causaram um rebuliço no universo de SEO. Uma das primeiras preocupações levantadas é a diminuição da taxa de cliques e do tráfego orgânico vindo dos mecanismos de busca. Afinal, o usuário já vai ter a resposta de que precisa sem entrar em nenhum site ou artigo.
Isso não é novidade e cresce cada vez mais, sobretudo no mobile, chegando a 77% de pesquisas zero clique, de acordo com dados apresentados por Charley Bouzerau e Jérémie Conde na palestra já citada. Por consequência disso, é bem provável que haja queda de tráfego de usuários ‘low intent’, ou seja, mais de topo de funil.
Nessa palestra, os especialistas também trouxeram insights interessantes. Por exemplo, a maioria dos sites presentes no SGE como fonte, em forma de link externo ao lado das frases que compunham a resposta textual e/ou como artigos em forma de carrossel à direita, não seguiam exatamente a ordem dos top 10 da SERP. Inclusive, muitos nem estavam nesse top 10.
Nos meus testes pessoais, também notei esse padrão. Por exemplo, ao fazer a busca ‘como fazer redação nota 1000’, os artigos que apareceram no carrossel à direita como referência foram:

E eles ocupavam, respectivamente, a sétima, segunda e décima posição. O que eu concluí? Bem, por um lado, o seu conteúdo pode receber destaque mesmo que não esteja nas primeiras posições; por outro, resta saber quais são os critérios para essa seleção. Uma coisa é certa: sempre vai ser algo multifatorial.
Outra observação que tive: os snippets não aparecem mais nessa versão. Após a resposta gerada via IA, que chega a ocupar toda a primeira dobra da página, começam logo as primeiras posições da SERP, intercaladas com as perguntas do “People Also Ask”. Será que o snippet não vai mais existir e será substituído pela resposta IA?
O que fazer para ranquear no contexto do Google SGE?
Como tudo em SEO, não há fórmulas mágicas e checklists milagrosos, ainda mais que tudo está ainda em fase de teste. Porém, eu tenho uma resposta básica que funciona bem: não surtar.
Uma das apostas dos palestrantes da HubSpot (da conferência “Allier le contenu à l’expérience utilisateur : la clé pour convertir avec votre site web en 2023” ou, em tradução livre, “Aliar o conteúdo à experiência do usuário: a chave para converter com o seu site em 2023”, disponível aqui), por exemplo, é focar os esforços de marketing de conteúdo para se tornar uma das fontes usadas pela IA para gerar a resposta.
Você notou nos vídeos e exemplos acima como, ao final das frases de resposta da IA, aparece uma seta para baixo? Ao clicar, dá para ver as fontes de cada informação, conforme imagem abaixo:

Além do carrossel que já mencionei, que aparece à direita da resposta textual:

Os palestrantes deram a dica de mapear as palavras-chave importantes do seu negócio, ver como estão aparecendo na pesquisa via Google SGE (com botão, SGE automático ou nada) para daí criar um plano de ação voltado ao objetivo de se tornar uma dessas referências.
Esse plano de ação precisa incluir o reforço da sua autoridade no assunto, sobretudo investindo profundamente no EEAT (Experience, Expertise, Authoritativeness e Trust). Cada vez mais importante em SEO, ele se torna ainda mais relevante nesta era AI-Driven (conduzido por IA).
O que é EEAT?
EEAT é um acrônimo para “Experience, Expertise, Authoritativeness, and Trustworthiness” (Experiência, Especialização, Autoridade e Confiabilidade). Este conceito é um conjunto de diretrizes usado pelos Avaliadores de Qualidade do Google para avaliar a qualidade dos resultados de busca. O “E” extra foi inserido no final de 2022, ligado à experiência do criador.
O propósito principal é assegurar que o Google ofereça resposta confiáveis e de alta qualidade para as pessoas usuárias. Os sinais de EEAT são fatores considerados pelo Google na avaliação da qualidade geral de uma página da web e influenciam como as páginas são classificadas nos resultados de busca.
Dentro desse contexto, o termo “Your Money or Your Life” (YMYL) se destaca. Ele se refere a um tipo específico de conteúdo da web que pode ter um impacto significativo na felicidade, saúde, segurança financeira ou estabilidade de um indivíduo. Essencialmente, as páginas YMYL são aquelas que, se apresentassem informações incorretas, desatualizadas ou enganosas, poderiam afetar de forma direta a vida ou o bem-estar do leitor.
Exemplos de conteúdo YMYL incluem, mas não estão limitados a:
- Informações Financeiras: Sites que oferecem conselhos ou informações sobre investimentos, impostos, planejamento de aposentadoria, compra de casa, pagamento de faculdade, seguros, etc.
- Informações Médicas: Conteúdo relacionado à saúde, como informações sobre doenças específicas, nutrição, saúde mental, medicamentos, etc.
- Segurança Legal: Sites que fornecem conselhos ou informações legais, incluindo direitos dos trabalhadores, testamentos, divórcio, custódia de menores, etc.
- Segurança Pública: Informações que podem impactar a segurança das pessoas, como notícias de última hora sobre desastres naturais, avisos de emergência, etc.
- Outras Decisões Importantes: Incluem, por exemplo, sites que fornecem informações sobre pais e adoção, orientação sobre grandes decisões de vida como carreira, etc.
O Google avalia as páginas YMYL com um padrão mais elevado, especialmente em termos de EEAT, devido ao potencial impacto significativo que essas páginas podem ter na vida das pessoas.
Em todas as buscas relacionadas a tópicos YMYL, aparece o aviso de atenção para o usuário, como: “Isto não constitui aconselhamento financeiro profissional. A melhor opção é contactar um consultor financeiro relativamente à sua situação específica”, conforme imagem abaixo:

Nesse caso, você pode realizar o que chamamos de ‘quick wins’, ou seja, pequenas vitórias que otimizam e atualizam o seu conteúdo para que ele tenha mais chances de aparecer não só nas primeiras posições, mas de ser considerado uma referência na resposta gerada para IA do Google.
Não é preciso criar tudo do zero, viu? Você pode:
- Fazer um levantamento dos conteúdos que performam melhor e ver no que eles podem melhorar. Criar um infográfico para inserir no meio do artigo a fim de deixar as informações mais visuais? Inserir algum vídeo que já foi produzido pela sua empresa? Atualizar informações, sobretudo estatísticas? E faça essas alterações. Vale lembrar que conteúdos multimodais são bem-vistos pelo Google. Lembra que, ao mostrar o resultado criado por IA, podem aparecer várias formas de conteúdo, incluindo infográficos? Logo, não se prenda apenas ao texto ao criar/otimizar o conteúdo para o seu blog. Isso é muito válido sobretudo em conteúdos mais longos, como pillar pages;
- Entrevistar algum colaborador expert no assunto em questão e inserir citações ao longo do conteúdo, com nome + cargo do expert + perfil no LinkedIn, por exemplo. Isso ajuda a trazer mais autoridade e é benéfico em termos de EEAT. Essa alteração é altamente recomendável, por exemplo, em conteúdos de finanças, saúde e legais, que se encaixam mais facilmente em tópicos YMYL. Você precisa mostrar que o autor daquele conteúdo é legítimo para dizer o que diz.
E os Core Updates do Google?
Esse ano foi cheio de Core Updates do Google, não é? Tivemos em março, abril, agosto, setembro, outubro e novembro. Apesar de focos distintos, essas atualizações têm em comum o foco 100% voltado à experiência do usuário nos mecanismos de busca.
Nas atualizações de novembro, o Google apresentou algumas features novas que vão estar disponíveis em breve e estão super relacionadas aos resultados do Google SGE. Dá só uma olhada:
Experiência de busca mais personalizada
O Google está introduzindo a capacidade de seguir tópicos de interesse dos usuários. Por exemplo, se você está treinando para uma meia maratona e busca dicas de preparação, ao clicar em “Follow” (seguir), verá automaticamente artigos e vídeos sobre treinamento de maratona no Discover, a página inicial do aplicativo Google.
Esta funcionalidade, que destaca informações úteis, relevantes e confiáveis, será lançada nos aplicativos Google e nos navegadores Chrome e Safari móveis em inglês nos EUA nas próximas semanas.
Ainda mais conhecimento de primeira mão na busca
O Google está introduzindo atualizações para facilitar a localização e o compartilhamento de insights pessoais na busca. Agora, está trazendo o filtro de perspectivas para a busca de desktop, permitindo que os usuários vejam exclusivamente conteúdos de pessoas em plataformas de mídia social, fóruns e outras comunidades.
Também começará a mostrar informações sobre o criador individual nos resultados da pesquisa, como a identificação social, quantidade de seguidores ou popularidade do conteúdo.
Notes
Um novo experimento no Search Labs: com o objetivo de ajudar as pessoas a aprenderem com as experiências de outras na web, o Google está introduzindo um novo experimento chamado “Notes” no Search Labs. É uma nova maneira de compartilhar dicas e conselhos sobre conteúdo da web.
Ao buscar, por exemplo, “receita de pão de alho”, você poderá ler e acrescentar essas informações, falando sobre sua experiência com aquela receita, dando um toque extra, dizendo o que funciona ou não funciona, mas diretamente no Google, sem estar na página em si. Se quiser entender mais sobre a proposta do Notes, confira o artigo diretamente no blog do Google, aqui (em inglês).
Essas atualizações visam tornar mais fácil para os usuários manterem-se atualizados com seus interesses, aprender novas habilidades e compartilhar conhecimentos com outros.
E qual a relação com o Google SGE? Para mim, tudo! Vimos como essa ferramenta prioriza um diálogo mais próximo e personalizado com a pessoa usuária e suas dúvidas. As atualizações do Google são apenas um reflexo dessa busca. Digo sempre: está tudo conectado, e não dá pra pensar em conteúdo sem pensar nas duas coisas.
Deu para ver como o Google SGE está abrindo novas portas no universo do SEO e da busca de informações, desafiando as convenções e apresentando oportunidades únicas para usuários e criadores de conteúdo. Mas nada de perder os cabelos: faça testes, veja como está a situação do seu conteúdo e monte um plano de ação que leve em conta EEAT. Foque no básico bem-feito: criar (ou atualizar) conteúdo pertinente, de qualidade, acessível e fluido, que responda de fato as dúvidas e converse com sua persona.
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Atualizado em 18 de outubro de 2024