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Teste de usabilidade: o que é e como usar no seu site

Capturar, categorizar e interpretar resultados de pesquisas de usuários, bem como realizar testes de usabilidade, tornaram-se práticas frequentes entre especialistas em UX (User Experience). Esses testes são importantes porque revelam problemas que afetam a experiência da maioria dos usuários em sites e aplicativos. Bons exemplos são os casos de abandono de sites por falta de [...]

Capturar, categorizar e interpretar resultados de pesquisas de usuários, bem como realizar testes de usabilidade, tornaram-se práticas frequentes entre especialistas em UX (User Experience). Esses testes são importantes porque revelam problemas que afetam a experiência da maioria dos usuários em sites e aplicativos. 

Bons exemplos são os casos de abandono de sites por falta de compatibilidade com o dispositivo dos usuários. Cerca de 53% das pessoas que usam dispositivos móveis para acessar a internet abandonam um site se ele demorar mais de 3 segundos para carregar, de acordo com pesquisa realizada pelo Google.¹ 

Essa é apenas uma das muitas questões que podem ser descobertas e corrigidas com testes de usabilidade. Aqui, vou explicar mais sobre o que é esse tipo de teste e como ele pode ser aplicado para aprimorar a usabilidade do seu site. Continue a leitura do guia que preparei e confira dicas para otimizar a experiência do usuário!

O que é teste de usabilidade?

O teste de usabilidade é um tipo de pesquisa que avalia a experiência do usuário ao interagir com um site ou aplicativo. Essa pesquisa ajuda os designers a avaliar o quão intuitivas e fáceis de usar são as funcionalidades de uma plataforma. O processo de teste de usabilidade envolve identificar problemas com o site que você pode ter deixado passar, solicitando a usuários reais, em vez de desenvolvedores e designers, que concluam uma série de tarefas de usabilidade.

Por exemplo: para testar a usabilidade de um site de vendas, os participantes podem ser solicitados a encontrar um produto, adicioná-lo ao carrinho, realizar o pagamento e verificar o status do pedido. Durante o processo, os pesquisadores observam e registram ações como cliques, tempo gasto em cada etapa e eventuais frustrações dos usuários

As métricas e os caminhos percorridos para concluir as tarefas são analisados para identificar possíveis problemas e pontos de melhoria. O objetivo final é manter um site de alta performance, que resolva os problemas dos usuários e os ajude a atingir seus objetivos.

Normalmente, é um especialista em UX design que faz o teste de usabilidade. Esse profissional tem conhecimentos sobre como fazer o site funcionar bem, entender para que serve cada uma de suas funcionalidades e se as pessoas vão gostar de usá-las.

Quais são os principais modelos de teste de usabilidade?

Existem diversas maneiras de testar as funcionalidades de um site e compreender, na prática, a jornada dos usuários. Abaixo, veja quais são os principais modelos de teste e comece a perceber qual deles tem mais a ver com o seu projeto.

Moderado ou não moderado

Os testes moderados são conduzidos por pesquisadores treinados em um ambiente presencial ou remoto. Nesse caso, os participantes interagem com a plataforma enquanto um moderador observa, responde a dúvidas e coleta feedback em tempo real. 

Já nos testes não moderados, os participantes interagem com a plataforma em seu próprio ambiente, sem supervisão direta. Eles são guiados por instruções predeterminadas, e a coleta de dados é feita com questionários ou ferramentas de registro de interações.

Para decidir entre um teste moderado ou não moderado, considere o nível de interação desejado com os participantes. Se precisar de insights em tempo real, o teste moderado é ideal. Se você busca uma abordagem mais hands-off e quer coletar dados de forma mais independente, o teste não moderado pode ser mais adequado.

Análise heurística

É um método de avaliação de usabilidade no qual especialistas em UX utilizam um conjunto de princípios pré-definidos para identificar problemas em um site ou aplicativo.

Esses princípios, ou heurísticas, são diretrizes gerais de bom design, como consistência e clareza. Durante a análise, os avaliadores percorrem o site de forma sistemática, procurando desvios desses padrões e identificando potenciais problemas de usabilidade. 

O processo é geralmente menos formal e mais rápido do que outros métodos de teste de usabilidade. Durante a análise, avaliadores percorrem o site ou aplicativo várias vezes, cada um examinando a interface de acordo com essas heurísticas. 

Eles identificam problemas específicos e os classificam de acordo com sua severidade, baseando-se em fatores como frequência, impacto no usuário e capacidade de ser solucionado.

 As principais heurísticas utilizadas são:

  1. Visibilidade do status do sistema: o design deve sempre manter os usuários informados sobre o que está acontecendo por meio de feedbacks apropriados dentro de um tempo razoável;
  2. Relação entre o sistema e o mundo real: o sistema deve falar a língua dos usuários, com palavras, frases e conceitos familiares, e não termos orientados para o sistema. Aqui o conceito de UX Writing é muito importante; 
  3. Controle e liberdade do usuário: os usuários frequentemente escolhem funções do sistema por engano e precisam de uma “saída de emergência” clara para deixar a situação indesejada sem ter que passar por um processo complexo dentro do site;
  4. Consistência e padrões: os usuários não devem ter que se perguntar se diferentes palavras, situações ou ações significam a mesma coisa;
  5. Prevenção de erros: melhor do que boas mensagens de erro é um design cuidadoso que previne o surgimento de problemas;
  6. Reconhecimento em vez de memorização: minimize a carga de memória do usuário, tornando objetos, ações e opções visíveis. O usuário não deve ter que se lembrar de informações de uma parte da interação para a outra;
  7. Flexibilidade e eficiência de uso: aceleradores — invisíveis ao usuário novato — podem frequentemente acelerar a interação para o usuário experiente, de modo que o sistema possa atender a usuários novatos e experientes. Permita que os usuários adaptem ações frequentes;
  8. Estética e design minimalista: diálogos não devem conter informações irrelevantes ou raramente necessárias. Cada unidade extra de informação em um diálogo compete com as unidades de informação relevantes e diminui sua visibilidade relativa;
  9. Ajude os usuários a reconhecer, diagnosticar e se recuperar de erros: as mensagens de erro devem ser expressas em linguagem simples (sem códigos), indicar precisamente o problema e sugerir uma solução construtiva;
  10. Ajuda e documentação: mesmo que seja melhor se um sistema possa ser usado sem documentação, pode ser necessário fornecer ajuda e documentação. Qualquer informação desse tipo deve ser fácil de buscar, focada na tarefa do usuário, listar etapas concretas a serem seguidas e não ser muito extensa.

Remoto ou presencial

Os testes remotos são realizados pela internet ou por telefone. As sessões para o teste permitem que os participantes usem o site em seu contexto natural, sem a necessidade de deslocamento. 

Por outro lado, os testes presenciais são realizados em salas com computadores e contam com um pesquisador presente. São encontros que possibilitam uma análise de expressões faciais e comportamentos físicos do usuário. 

Então, se você busca uma observação detalhada de reações corporais, considere o teste presencial. Se a conveniência e a abrangência geográfica dos participantes forem prioridades, os testes remotos podem ser mais vantajosos.

Exploratório ou comparativo

Os testes exploratórios são abertos e convidam os participantes a expressar opiniões e ideias sobre o site. Eles ajudam a identificar lacunas e gerar novas funcionalidades.

Os testes comparativos confrontam duas ou mais soluções, pedindo aos usuários que escolham entre elas. É um tipo de teste útil para avaliar preferências e até comparar um produto com seus concorrentes diretos.

Para decidir entre testes exploratórios e comparativos, avalie dois aspectos: o estágio do projeto e os objetivos. Se estiver no estágio inicial de desenvolvimento, opte pelo teste exploratório. Se a intenção é comparar produtos concorrentes ou soluções já estabelecidas, o teste comparativo oferece insights para tomadas de decisão mais direcionadas.

HeatMap (Mapa de Calor)

HeatMaps, ou Mapas de Calor, são ferramentas de análise visual que ajudam a entender como os usuários interagem com uma página da web. Eles representam dados de interação, como cliques, movimentos de mouse e rolagens de página, usando um espectro de cores para indicar áreas de alta e baixa atividade. 

As cores mais quentes (como vermelho e laranja) indicam áreas de maior interação, enquanto as cores mais frias (como azul e verde) mostram menos atividade. Alguns exemplos de como aplicar:

  1. Análise de Cliques: um HeatMap de cliques pode mostrar onde os usuários estão clicando mais frequentemente. Por exemplo, se um botão “Comprar Agora” recebe menos cliques do que esperado, isso pode indicar a necessidade de torná-lo mais visível ou atraente;
  2. Movimento do Mouse: mapas de calor que rastreiam o movimento do mouse podem indicar como os usuários navegam em uma página. Se os usuários passam a maior parte do tempo em uma área específica, isso pode sugerir que é um ponto focal importante, talvez onde informações ou ofertas especiais são exibidas.
  3. Rolagem de Página (Scroll HeatMaps): esses mapas mostram até que ponto na página os usuários estão rolando. Se a maioria dos usuários não rola além da metade da página, informações importantes ou CTAs na parte inferior da página podem estar sendo perdidas.

Testes A/B

Os Testes A/B são uma técnica de comparação direta na qual duas versões de uma página da web são apresentadas a diferentes conjuntos de usuários. 

O objetivo é avaliar qual versão apresenta melhor desempenho em termos de métricas específicas, como taxa de conversão ou tempo de permanência na página. Esses testes são úteis para tomar decisões baseadas em dados sobre mudanças de design, conteúdo ou funcionalidade.

Profissional no computador fazendo teste de usabilidade

WAVE (Web Accessibility Evaluation Tool)

WAVE é uma ferramenta de avaliação de acessibilidade na web. Ela analisa páginas da web e identifica vários aspectos de acessibilidade, apontando erros e fornecendo recomendações práticas para melhorar.

Isso inclui a verificação de elementos como textos alternativos para imagens, estrutura de cabeçalhos, contraste de cores, e compatibilidade com leitores de tela, ajudando a tornar o site acessível para todos os usuários, incluindo aqueles com deficiências.

Por exemplo, ao rodar WAVE em um site, ele pode identificar que várias imagens importantes não têm texto alternativo. Isso indica um problema de acessibilidade para usuários com deficiência visual que usam leitores de tela, pois eles não podem acessar as informações que essas imagens transmitem.

Rastreamento de Olhar (Eye Tracking)

O Rastreamento de Olhar, ou Eye Tracking, é um método que utiliza dispositivos para rastrear o movimento dos olhos do usuário enquanto eles interagem com um site.

Isso permite identificar para onde os usuários olham primeiro, quanto tempo eles fixam em certos elementos e como eles percorrem a página. Essas informações são cruciais para entender como os usuários realmente veem e processam as informações. 

Por exemplo, em um estudo de Eye Tracking em um site de notícias, pode-se descobrir que os usuários passam a maior parte do tempo olhando para os títulos e não para as imagens associadas. Isso sugere a importância de ter títulos fortes e bem redigidos para engajar os leitores.

Que ferramentas utilizar para fazer testes de usabilidade?

Abaixo estão algumas das ferramentas que recomendo e que são usadas diariamente aqui na INGAGE para análise dos sites dos nossos clientes, cada uma com suas características únicas e aplicabilidades.

GTmetrix

É uma ferramenta online que analisa a performance de carregamento de páginas da web. Ela fornece insights detalhados sobre fatores que afetam a velocidade de carregamento, como tamanhos de arquivos, tempo de resposta do servidor e scripts de JavaScript. 

GTmetrix também oferece recomendações práticas para otimizações que podem melhorar a velocidade e a eficiência do site.

Pagespeed Insights

Desenvolvido pelo Google, é uma ferramenta que avalia a performance de uma página da web em dispositivos móveis e desktops. Ela fornece uma pontuação de velocidade e sugestões de otimização, como melhorias no código, compressão de imagens e aproveitamento do cache do navegador. 

É particularmente útil para entender como o site se comporta em diferentes plataformas e o que pode ser feito para melhorar a experiência do usuário em cada uma delas.

Como interpretar os resultados?

Nem todos os problemas descobertos durante os testes de usabilidade são igualmente importantes. Para facilitar a interpretação desses resultados, você precisa categorizar os problemas identificados com base no nível de gravidade:

  • problemas de gravidade alta são aqueles que têm um impacto grande na experiência do usuário, como falhas que impedem a conclusão de uma tarefa importante;
  • problemas de gravidade média podem gerar frustrações ou lentidão, afetando a experiência, mas sem interromper completamente a interação;
  • problemas de gravidade baixa são os menos urgentes, pois apresentam um impacto mínimo na experiência geral do usuário.

Classificar os problemas de usabilidade do site como de gravidade baixa, média ou alta ajudará você a descobrir quais precisam ser resolvidos agora e quais podem esperar.

Por exemplo: se o formulário que solicita dados de contato impediu que uma parte dos usuários concluísse uma ação, é provável que seja uma prioridade mais alta do que se um dos usuários reclamar que o estilo de comunicação do site parecer casual demais — algo que pode demandar ajustes relacionados a UX Writing.

Após a categorização, a nossa recomendação é que sua equipe elabore um relatório do teste de usabilidade. Esse documento deve ser conciso e fácil de compreender, sem comprometer a precisão e a validade dos dados. Ele deve incluir informações sobre os problemas identificados, suas gravidades e sugestões para solucioná-los.

Caso necessário, a equipe também pode elaborar um wireframe para entender mais sobre como está a experiência do usuário no site.

Pessoa realizando teste de usabilidade e anotando observações num papel

Quais melhorias o teste pode indicar para um site?

Após escolher o método do teste de usabilidade, o próximo passo é definir as ferramentas necessárias para aplicá-lo e coletar os dados. A escolha dessas ferramentas depende dos objetivos do teste e do modelo escolhido. 

Por exemplo: se preferir realizar testes de usabilidade no formato de sessões moderadas e remotas, plataformas de videoconferência como Google Meet ou Zoom podem ser úteis para conduzir e gravar as sessões.

Essas ferramentas ajudam a identificar o comportamento dos usuários e pontos de melhoria no site. Com a coleta de dados, o teste pode oferecer uma série de sugestões para aprimorar a experiência dos usuários do seu site. Veja alguns exemplos na lista abaixo.

  • Melhoria da navegação: reorganização de menus, simplificação da busca e layout mais intuitivo para facilitar o acesso às informações desejadas.
  • Otimização de conteúdo: simplificação de textos, uso de títulos atrativos e elementos visuais para tornar as informações mais acessíveis e interessantes.
  • Aprimoramento de formulários online: redução de campos, instruções claras e validação em tempo real para garantir uma experiência de preenchimento mais fluida.
  • Melhorias de acessibilidade: adição de descrições para imagens, compatibilidade com leitores de tela e ajustes no contraste para tornar o site acessível a todos.
  • Velocidade de carregamento: otimização técnica, como compressão de imagens e melhorias no código para reduzir tempos de carregamento.
  • Design responsivo: ajustes para garantir um site responsivo, que ofereça uma experiência consistente em diferentes dispositivos e proporcione uma navegação suave em telas variadas.

Considerando as melhorias indicadas pelo teste de usabilidade, os designers e as equipes responsáveis pelo site podem implementar mudanças direcionadas para melhorar a experiência do usuário e garantir uma plataforma mais amigável, funcional e atrativa.

Agora que você entende que realizar testes contínuos de usabilidade pode melhorar as funcionalidades do seu site, que tal aprender a criar um do zero? Descubra tudo sobre como criar sites de alta performance com a INGAGE!

1 https://support.google.com/adsense/answer/7450973?hl=pt-BR

Escrito por

Equipe INGAGE

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Atualizado em 22 de outubro de 2024